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22 de maio de 2013

O Resumo do relato de Aegnor, a Branca

(ESCRITO ORIGINALMENTE EM 22/05/2013, 12:30:00. Este relato conta como surgiram os Gaurhoth, os Altos Lobisomens da cidade de Minas Ithil)

Eu era jovem, uma criança de doze anos, vinha de uma família de Elfos e Meio Elfos, e vivíamos em uma cidade a Norte na Floresta Menetrels, em Menegroth. Era bela, e Homens, Ferais e Feéricos viviam ali em harmonia. Eu nasci no final da Segunda Guerra contra os Magos, meu pai era um Soldado da horda Feérica liderada pelos Dranorianos, pois nossa cidade cresceu sobre o domínio de Dranor, mas éramos bem tratados, pois os Tiranos Reis ainda não tinham ascendido e se colocado entre os Nove.

Meu pai foi muito ferido na Guerra, depois de servir fielmente por vinte anos foi aliviado de seus deveres, voltou para minha mãe e se tornou Guarda da Cidadela. Muita felicidade residia ali, tínhamos fartura mesmo nos tempos da Guerra, pois os Homens do Norte tinham muito cuidado por aquela cidade, diziam que um poderoso entre os Reis Dranorianos tinha desposado uma bela elfa que morou conosco, e desde então recebemos muita atenção do Norte.

Muitos deuses eram adorados ali, mas a cidade fora construída em nome de Rainha Rapina, motivo pelo qual alguns Clãs Ferais se estabeleceram nos arredores da Cidade, e se misturaram ao povo como comerciantes até Sacerdotes da deusa. E por muito tempo o mal não nos alcançou, nem mesmo através dos Magos Sombrios, isto viria mais tarde pela mão de Reis que envergonharam a imagem dos antigos Senhores Dranorianos.

Era noite e chovia, o som do vento era melancólico, mas a noite ainda estava bonita, quando uma jovem bateu nos portões. Estava cansada e ferida, assim como os dois homens que a acompanhavam. Eles tinham cinco crianças consigo, e findaram seu trabalho trazendo a moça e seus filhos a salvo para a cidade, a protegendo de algum perseguidor, pereceram nas casas de cura. Ela, apesar de cansada, resistiu aos ferimentos e chorou ao saber que seus companheiros tinham morrido, mas se alegrou pelo bem estar de seus filhos.

Os Homens que estavam com ela eram Dranorianos, não faziam mais parte do exercito, mas seus traços não negavam sua origem, o que aumentou os cuidados pela mulher. Minha mãe era uma dos feéricos das Casas de cura, e acompanhei parte dessa história de perto. O nome da moça era Kira, era conhecida naquelas terras. Era líder de um Clã de Patrulheiros de renome, mas há alguns anos pararam de dar noticias.

Ela foi muito questionada mas evitou algumas perguntas, e os homens não insistiram. Kira era muito bela, e seu porte e traços vinham das terras do Norte, das damas Dranorianos, e dos Homens ela não podia negar sua origem. Apesar de durona como os de seu povo, era amorosa com seus filhos, e com qualquer outra criança, e eu me apeguei muito a ela.

Os Homens deram ordens para que não criassem alvoroço ou comentários que chegassem aos ouvidos dos estrangeiros, e ela viveu entre nós. Dentro da cidade ela ajudou os Homens que receberam seus conselhos e ordens de bom grado, pois ela tinha o dom de comandar e suas palavras eram dominadoras, era uma grande Militar, pois isso corria no sangue dos descendentes de Dranor.

E seus filhos cresceram entre nós, e a cada dia revelavam seu parentesco com o povo do norte. Mas eles tinham algo mais, o espírito deles era ainda mais forte e ardente que qualquer Dranoriano, e tinham traços desconhecidos que não vinha de Dranor, o que nos assustou, pois o sangue Dranoriano era às vezes mais forte que o dos Feéricos. E eu me perguntava quem teria sido o pai dessas crianças. Eles eram queridos pelo povo, os três rapazes mais velhos eram fortes e altos, e suas duas irmãs eram belas como senhoras dos Altos Elfos. E mesmo elas se mostraram grandes guerreiras ao lado de seus irmãos.

Quando chegaram à cidade, os Sacerdotes Ferais de Rainha Rapina notaram uma marca que eles carregavam. Diziam ser a marca do Senhor dos Lobos, que era adorado por grande parte dos Clãs Ferais, um semideus aparentado a Rainha Rapina. E tomaram aquilo como um sinal da deusa, e que as crianças foram escolhidas.

E grandes feitos vieram deles, pois junto com sua mãe formaram um grupo de guerreiros poderosos na cidade, intitulados pelo povo como Imortais, e estes tiveram grande papel quando os Orcs invadiram as montanhas e lutaram contra os Homens. E Kira escondeu seu nome, comandava a seus homens mas evitava sair da cidade.

Quando o mais velho chegou a seus vinte e um anos, fomos assombrados por um mal durante a madrugada. A Lua estava alta e gritos começaram a ser ouvidos na escuridão. Os guardas davam ordens, pois algo tinha entrado na cidade e pessoas tinham sido atacadas. Muitos estavam feridos e todos os Imortais, os guerreiros de Kira, foram surpreendidos nos dormitórios e atacados sem poder se defender. Poucos morreram, mas todos sofreram ferimentos graves. Meu pai também foi atacado, e minha mãe, que estava atendendo os feridos nas ruas viu uma fera se arrastando na escuridão, atacando a todos com uma fúria infernal. Os Guardas formaram barricadas em todas as saídas da cidade, mas uma delas foi rompida violentamente, e seja lá o que nos tinha atacado fugiu para as florestas.

O filho mais velho, líder dos Imortais, desapareceu do dormitório. Kira estava desesperada e mandou seus homens vasculharem as cidades e os arredores da floresta, mas nada encontraram. Os guardas e pessoas feridas foram tratadas, e houvera poucas mortes.

E por um mês Kira procurou seu filho, e ajudou pessoalmente nas buscas. E quando a lua novamente subiu cheia nos céus, gritos foram ouvidos, pessoas corriam, e minha mãe entrou em casa desesperada. Dizia para meu pai que os feridos estavam se transformando em bestas, os Imortais desapareceram, e todos estavam sendo atacados. Meu pai cobriria o próximo turno dos Guardas, mas quando ele terminou de se aprontar e a luz da lua adentrou nosso quarto pelas janelas e pela sacada, os olhos dele brilharam, e ele urrou de dor, minha mãe me protegeu em seus braços enquanto víamos meu pai se contorcer no quarto, quebrando móveis, rosnando como um animal.

Minha mãe fugiu comigo para a sacada, e de lá olhamos para a cidade, e víamos vultos correndo pelas ruas, destruindo as lamparinas, correndo sobre os telhados, uivando e atacando as pessoas e guardas. Tochas estavam acesas nas mãos dos defensores, mas elas não afastavam as bestas, e a cidade estava infestada. Saiam das casas, subiam nas torres, e uivavam para a lua. E quando voltamos nosso olhar para meu pai, um grande lobisomem estava em nossa frente, e ele vinha em nossa direção. Minha mãe me abraçava forte dizendo que tudo ficaria bem.

Então um uivo que superava a todos que eu tinha ouvido naquela noite, veio na direção das muralhas da cidade. E antes de nos atacar, meu pai parou como se tivesse recebido uma ordem, e rosnando olhou atentamente para a muralha. Saltou sobre nós e foi naquela direção. Olhamos para o Portão da cidade, e lá, posicionado no arco do Portão, a luz incendiou o olhar de um Lobisomem Branco, alto e poderoso.

E todas as bestas na cidade começaram a se reunir a frente do Portão, e mais quatro feras que também estavam a atacar a cidade se colocaram a frente de todas. E Kira, trajada com armadura e armas, avançou entre os lobisomens, que abriam caminho pra ela. Chegando ao portão a fera branca desceu e ficou a sua frente. E voltando a forma humana, em farrapos estava o Filho mais Velho de Kira, que abraçou a mãe naquele momento. E todos os Lobisomens atrás dela caíram e começaram a voltar as formas humanas.

Os Guardas detiveram Fëanor, o filho desaparecido de Kira, pois estavam assustados e confusos. Também começaram a recolher os feridos e mortos. E os transformados também foram levados as casas de Cura, entre eles estavam os Imortais e os outros quatro filhos de Kira, e foram tratados pelos curandeiros Ferais, que conheciam bem a raça e eram parentes distantes.

Fëanor contou a mãe, aos Guardas e aos Sacerdotes Ferais que por três semanas ele esteve transformado, e não podia voltar à forma humana, e que na noite de sua primeira transformação não conseguia se controlar e sentia muita dor, que o deixou insano. E nas três semanas que se manteve vagando, por instinto compreendeu seus poderes e descobriu como voltar a forma humana. E a ele apareceu um espírito em forma de um Lobo Branco, que lhe deu muitos conselhos, mas disso ele não poderia falar.

Ele aprendeu a se comunicar em uma língua estranha com outros de sua raça, e podia controlar os novos transformados e sabia como transmitir esse ensinamento. E assim ele garantiu que não haveria mais incidentes. Ele voltou ainda mais imponente e poderoso, e suas palavras eram firmes.

Os Homens informaram os Senhores Dranorianos, e um deles veio pessoalmente. Ele falou com Kira e seus cinco filhos, e Fëanor o convenceu de seus dons e de sua história, pois assim como a mãe, grande voz e poder sobre outros ele tinha. Mas o Rei não sabia o que fazer, pois não devia deixar uma cidade cheia de lobisomens, mas os outros Senhores viram aquelas pessoas como uma arma de guerra.

Falou em conselho com os outros reis que os Lobisomens eram uma questão de seu reino, pois aquela cidade esteve por debaixo de seu olhar e de sua esposa, que cresceu lá. Os Senhores aceitaram, mas disseram que ele não poderia desperdiçar tanto poder, que seriam um novo exército, um dos mais poderosos de Dranor, pois muitos dos transformados ali, inclusive os cinco filhos, eram da raça dos Dranorianos.



O Rei então achou uma solução, disse que a cidade se manteria, pois era importante para ele e sua mulher, mas os lobisomens não podiam ficar ali. Disse que uma grande obra começara pela mão dos Anões e Feéricos do Norte, em terras escondidas no reino de Dranor, e ali a cidade dos Lobisomens ficaria. Mas eles eram livres para andar disfarçados em outras cidades para comercio, desde que lá não se fixassem sem a autorização de Dranor, e qualquer incidente poderia levar a sérias conseqüências.

E nos garantiram prosperidade nessa nova vida, pois o novo Reino que Dranor começou no continente era a favor da liberdade, e parte dela nos foi tomado pela maldição. E em troca receberiamos moradas ricas, um governo separado e pouco influenciado por Dranor, livre entrada nas cidades, mas jamais poderíamos morar em outro lugar, ou passar um período muito longo fora de Dranor ou da cidade.

E passado um ano, os Homens de Dranor nos guiaram para o Norte, Kira e seus filhos lideravam a marcha, e depois de meses viajando nas terras geladas nos deparamos com um poderoso exemplo da belíssima arquitetura dos Anões, uma gigantesca cidade escavada nos paredões de Gelo.

Imensa como os salões das mansões Anãs, através de técnicas e engenharia que só os Anões e Feéricos conheciam, uma luz como a da lua, porém mais clara e quente, refletia em espelhos vinda de fora da fortaleza, e esquentava e iluminava o interior da cidade durante o dia, e grandes luminárias foram postas para noite, mas em dias de Lua cheia, no centro da cidade aonde o teto entalhado no gelo era transparente, uma grande e bela imagem da lua surgia para nós, e sua luz iluminava o grande salão. E só aos Dranorianos foi revelado o caminho que levava a cidade.

E a Kira foi dado o Governo da cidade, e belo foi aquele reino, e disfarçados entre os homens e outras raças, fizemos comercio com ajuda de Dranor, enriquecemos e prosperamos escondidos do mundo. Nossa relação com outros lobisomens era fria, pois eles eram ignorantes, feras incontroláveis e nos envergonhavam. E a Rainha Rapina foi adorada ali, e dizem que ela falava com Kira e seus filhos pessoalmente, e um grande dom os havia entregado, uma chave, para libertar os atormentados.

Mas nossa paz era assombrada por um inimigo que nos caçava como animais, os Mãos de Prata, que eram ligados a nossa história, e em pouco tempo nos perceberam entre os homens, e muitas vezes perseguiam nossos viajantes. E foi assim que passamos a fazer comercio acompanhado de tropas, e muitas vezes houvera confrontos entre o nosso clã e o deles. E esses combates só cresceram com o tempo, muitas vezes sofremos repreensões de Dranor, pois devido aos conflitos com os Mãos de Prata nossa presença foi notada, e mitos sobre os Altos Lobisomens se espalharam.

Os Mãos de Prata queriam descobrir aonde era nossa cidade, e invadiam pequenos vilarejos e comércios que fundávamos na floresta, pois a nós foi liberado esse direito, desde que nenhum um estrangeiro pudesse viver lá, eram cidades para facilitar o comercio. E eu e minha família vivíamos em uma dessas cidades. E os conflitos contra os Mãos de Prata foram à única guerra que conhecemos, porque os Reis queriam nos esconder.

E assim termina o relato de Aegnor, uma Senhora Élfica que viveu entre os lobisomens por duzentos anos, e seu pai se tornou um grande general entre eles. Ela morreu em um ataque dos Mãos de Prata, lutou bravamente, mas caiu ao lado de seu pai. Ela nunca foi transformada. Deixou esses textos que passaram a fazer parte da biblioteca da cidade de Minas Ithil, a cidade da Lua, casa dos Lican, os Altos Lobisomens.

6.1 - Da Construção do Grande Templo Gaurgrod



ESCRITO ORIGINALMENTE EM 22/05/2013, 11:56:00 (Essa história ocorre no período dos textos sobre o Reino Anão Leste e a Ruína de Thúrin. A história se trata da construção da Segunda Dungeon, o templo dos lobisomens, aonde os jogadores lutaram contra o Lich e conseguiram uma das chaves do Caixão)

        Os Anões construíram um grande Reino no Leste, e isso trouxe muita alegria não só aos anões como a todas as raças que muito se beneficiaram com esse novo comercio que se abriu na floresta. Nesse tempo, o inicio do império Dranoriano, os reis tolos ainda não haviam ascendido ao trono e os tempos eram belos, e Dranor guardou as terras de muitos males.

        Mas algo inquietou os habitantes da floresta, uma enorme construção que se iniciou nos Picos Sombrios, que eram três grandes montanhas que se sobressaiam no limite norte das Ered Lammoth, nas regiões altas de Menegroth, a grande floresta.

        Foi proibida a passagem para qualquer um que quisesse se aproximar das montanhas, e muitos anões e Dranorianos se movimentavam naquela região. E boatos diziam que um templo sagrado estava sendo construído, com o objetivo de guardar uma arma dos deuses.

        De fato seria uma cidade sagrada, e lá guardariam um artefato de Grande Poder, mas Dranor escondia esses fatos a todo custo, e apenas os Sacerdotes Dranorianos e Mestres Anões poderiam entrar naqueles salões. Pois ele foi construído por ordem de Minas Ithil, a cidade dos Altos Lobisomens.

        Alguns anos depois do inicio do governo de Minas Ithil, a deusa visitou Kira e seus filhos se apresentando na forma de uma bela Shadar-Kai. E lhes aconselhou e falou sobre os Mãos de Prata, e como se deu o fim de seu Pai, Exar Kun.

- Minha maldição recaiu sobre aquele clã – disse a deusa-, e sobre seu pai também. Pois muito me decepcionei com sua traição, e com traição ele foi recompensado. Pois seus irmãos gêmeos unidos aos mestres do Clã, traíram Exar Kun e atentaram contra sua vida. Ele fugiu e se perdeu na escuridão, seguiu um caminho e uma sina terrível, pois retornou ao lugar aonde eu o treinei.

- Há anos entreguei a Exar Kun e seus guerreiros a chave para minha mais bela e terrível criação, O Caixão das Almas. Lá, Exar Kun e seus homens foram forçados pela dor a crescer em suas habilidades e ao mesmo tempo o Caixão lhes abasteceu de uma magia fúnebre que só ele pode conceder. Um poder que vem da vitalidade das almas que morrem ou caem na insanidade das terras do caixão, e com essa chave eles poderiam lançar lá seus piores inimigos, e também se alimentar do poder. Eu planejava construir um exercito muito poderoso, mas agora percebi que os acidentes são a maior diversão para os deuses.

- Então vou lhes entregar essa chave, e a vocês eu dou o poder de retirar aqueles que apodrecem no Caixão e usar seu poder para ferir os Mãos de Prata. E assim como eles, vocês saberão sobre quem entra e quem sai daquele lugar, como também lhes darei o ensinamento de como materializarem seus espíritos ali, para vigiarem os caminhos daqueles que não caem na morte ou loucura.

        E dizendo isso, a deusa colocou nas mãos de Fëanor, o mais velho dos Reis Lobisomens, um cristal transparente e entalhado, com uma caveira espectral, que se enrolava e insinuava em torno do cristal como uma serpente. E no momento que Fëanor o tocou, um poder saiu do cristal e adentrou em seus olhos e no de seus irmãos, e eles receberam toda a sabedoria que a deusa dissera.

        Mas Fëanor, com tom de reprovação, encarou a deusa em forma mortal e disse:

-Então é assim que vê a morte de homens de meu povo, como uma fonte de diversão para seus olhos. E com esse presente só busca aumentar o conflito entre nós e a prole de nossos irmãos, que enredados em seus planos se perderam na escuridão e foram amaldiçoados por consequência dos males que você causou aos homens de meu pai e a ele mesmo.

-Não aceitamos seu presente, deusa, pois ao menos agora vamos fugir de sua sede insaciável pela sina e pela morte. E nos negamos a usar um mundo de horror como foi este que tu criast, e depois que despejou essa sabedoria em nossas mentes sem que fosse convidada, eu vi o quão maldito é aquele lugar. Padroeira de nossas terras você é, e nunca negaremos sua influencia para nossa riqueza e prosperidade, e por isso continuaremos a servi-la, mas não ajudaremos a continuar esse fratricídio que por falta de escolha somos obrigados a lutar.

        Mas a deusa riu das palavras de Fëanor, pois sabia de seu amor por seu povo, e que no futuro seriam obrigados a usar do poder do caixão para guardar a suas terras. E disse a deusa:

-Suas palavras, jovem Rei, chegam a mim como as de uma criança que não entende o porquê de seus pais os colocarem na tutela de professores e mestres. Não sabem que para o futuro o conhecimento sobre as coisas do mundo em que vivem será crucial para sua sobrevivência. O que dei a vocês foi o ultimo poder que tinha sobre o caixão, que por motivo que desconheço se desligou de minha vontade. E agora seu pai habita na escuridão do caixão, e guerra ele trará no futuro, por uma vingança alimentada pelas magias odiosas do caixão, que mudam a mente e a confundem.

-Com isso vocês poderão vigiar seus passos, e se preparar para uma necessidade. Pois não creio que o caixão prendera para sempre as forças que foram jogadas lá, pelos Mãos de Prata, e pelos Magos Sombrios, que eu manipulei para me auxiliarem na criação do caixão. E também a força dos mãos de Prata em breve irão se impor contra as suas, pois muito poder eles tomam de minha criação, e isso vocês não tem, e sua única vantagem é o dom que eu lhes dei, mas essa, se não aperfeiçoada, ira sucumbir perante os homens do Clã de seus Irmãos.

-Mas uma sabedoria a mais eu dei a vocês, algo que só tinha dado a Exar Kun. Independente desse cristal, vocês podem materializar seus espíritos no caixão, e de lá retirar forças. E seus irmãos dependem do cristal que eles têm para isso, e dele nunca podem se distanciar. Então, sugiro que escondam essa chave que lhes dei, já que estão indispostos a retirar alguém do caixão.

        A deusa desapareceu depois de dizer essas palavras e Fëanor ponderou sobre elas, e viu que se o que a deusa relevou fosse verdade, realmente era necessário o uso do poder que ela deu a eles. Mas a chave para o Caixão seria escondida, pois ninguém seria retirado de lá. Poderosos de mais saiam às pessoas daquele mundo, e sua mente estava transtornada pelos poderes negros do caixão.

        Então, se aconselharam com o Rei Dranor III, um rei bondoso e sábio dos Dranorianos, e muito fiel e amigo dos Lobisomens. Ele falou com sábias palavras, dizendo que era bom que um Templo fosse construído e sobre a segurança dos deuses dranorianos ele fosse guarnecido.

        Disse que o antigo povo do primeiro Rei Dranor se uniu aos semideuses, e a eles poderiam pedir auxilio, mas para isso um Templo Sagrado deveria ser construído. E lá, apenas sacerdotes e lideres como ele e os cinco Reis Lobisomens, pudessem entrar, e assim, convocar a proteção de seus ancestrais para aqueles salões. Pois homens de Dranor, em sua maioria, reverenciam seus ancestrais, e acreditam que eles caminham entre os deuses, e são senhores de salões no Mar Astral.

        Não se sabe se essas palavras são verdadeiras, mas não se pode negar o destino divino dos ancestrais Dranorianos, e que esses com poder auxiliam Dranor, às vezes mais que outros deuses adorados nos reinos humanos.

        E assim, com auxilio dos Anões do novo reino do Leste, Minas Ithil e o Reino de Dranor III deram inicio a uma das maiores e mais belas obras do continente. Um templo tão grande e belo que suplantava os Salões de Thúrin, que em troca de seu trabalho, pediu total independência, inclusive dos impostos, de Dranor. Mas os Anões se apaixonaram tanto por aquela obra que depois que terminaram pediram aos homens que permitissem que eles visitassem os salões, para mais uma vez deslumbrarem a glória daquele templo.

        Mas era negada a entrada a qualquer outro que não fosse à família do próprio Rei Dranor III e dos cinco Senhores da Lua, e aqueles que eles permitissem a entrada. E para lá foram enviados muitos sacerdotes Dranorianos e naqueles salões os ancestrais Dranorianos foram adorados, e como foi previsto pelo Rei, eles enviaram uma poderosa força para guardar o Templo. E a chave para o Caixão foi colocada em uma torre, no pico mais alto das três montanhas, e apenas uma escada escondida no templo levava até lá, guardada pelos segredos dos anões.

        E uma poderosa patrulha guardava o Templo. E eles continuaram cheios de sacerdotes e visitantes anões e do povo de Minas Ithil por muitos anos. Mas assim como a glória do Reino Anão Leste acabou suas portas foram lacradas pelos Dranorianos, temendo que algum mal daquele tempo alcançasse os salões sagrados.

         Pois os reinos do Leste foram assolados por uma praga liberada pela imprudência de Thúrin, rei supremo daqueles anões. E grande ruína veio sobre aquele povo.





21 de abril de 2013

A Mãe de Prata, e a Senhora da Lua

(ESCRITO ORIGINALMENTE EM 21/04/2013, 11:23:00. Essa história ocorre nos últimos anos da Guerra dos Cem Anos)

Assim como os Homens de Dranor são fortes, suas mulheres são belas. As damas Dranorianas se comparam as Senhoras Eladrins, em coragem e beleza. Seus espíritos são de um fogo violento, e compartilham a habilidade com armas dos Homens. Altas, de personalidade forte e de uma beleza divina. Artesãs, guerreiras e mães cuidadosas, sem dúvida elas superam de longe outras mulheres de outras raças.

Mas elas evitam olhar para o mundo fora de Dranor, e seu amor está ligado as suas cidades, e julgam não haver outros homens para elas fora de suas terras. Existem poucas histórias entre a união de homens de fora, seja qual for à raça, com mulheres Dranorianas. O que para os homens dranorianos é o inverso, pois muitos se apaixonam pelas senhoras de outras raças, muitas dessas, feéricas.

Mas em uma cidade de Dranor, que vinha da linhagem de uma das doze famílias, uma donzela se apaixonou por um errante da Floresta. Eles tiveram um belo romance, e dessa união nasceu uma bela menina, com a força e personalidade dos Dranorianos, mas com olhos feéricos e sonhadores como os Altos Elfos.

Mas uma tragédia atingiu a cidade, quando um clã de Feiticeiros e Bruxos vindos das beiradas das Montanhas Gorgoroth, golpearam a cidade comandando um exercito de mortos vivos, vampiros e lobisomens insanos. E a criança presenciou a morte de seus pais, e viu seus amigos e conhecidos serem raptados para rituais malignos, e no futuro serem usados e molestados como servos pelos imundos Bruxos.

Os reforços demoraram a chegar, e encontraram a cidade destruída e pilhada. Os moradores foram mortos ou levados, e apenas uma criança encontrou lá, chorando escondida em um guarda roupa. E como era de costume nas terras de Dranor, os órfãos eram levados para fortes militares, eles eram treinados e bem tratados a maneira de Dranor.

A menina cresceu sobre a supervisão dos mestres Dranorianos, e se destacou entre os aspirantes. Era conhecida como Kira, dos StormBorns, era bela e forte. Muito respeito ela adquiriu entre os guerreiros de Dranor.

Fora enviada em missões de Patrulha nas florestas, áreas que Dranor começou a conquistar. Caçava orcs e outros seres nas colinas em Menegroth, a grande floresta no centro do continente. E seus mestres a ensinava como se virar na mata, e lutar. Mas assim que atingiu a maioridade, se desvinculou do exercito, pois se apaixonou pela arte da Patrulha, e guiou homens em missões de exploração e reconhecimento.

Na maior parte do tempo viveu nas florestas, junto aos elfos e eladrins, e com eles aprendeu muito, e os seus Líderes em Dranor faziam questão de chamá-la para as missões mais importantes. Mas Kira tinha algo em seu coração e jamais esqueceu o desejo de vingança contra aquele clã de Bruxos, que outrora tirou tudo que ela tinha.

Esperou com paciência o momento em que as equipes de Dranor descobrissem o paradeiro daqueles bruxos, pois vingança era algo vivo nos corações dos Dranorianos, e assim como Kira, toda Dranor buscava por eles, pois eram inimigos declarados e deviam ser destruídos.

E um dia, Kira recebeu uma mensagem de seu general, dizendo que encontraram a sede dos Bruxos, que se intitulavam Senhores das Sombras. E uma tropa estava se movendo para floresta, pois eles se esconderam em uma toca a Leste próximo as fronteiras das planícies do Monte Dork.

Naquele tempo, Kira comandava um grande grupo de Patrulheiros na floresta, formado por homens e mulheres de Dranor e feéricos, na maioria. Ela os liderava e lutava contra as forças dos Magos Sombrios que tentavam se infiltrar na floresta. Eram os últimos anos da Segunda Guerra contra os Magos de Morcul, e os Senhores das Sombras eram comandados por eles.

Ao receber a noticia, Kira levou seus homens para se unir à tropa enviada por Dranor, e os alcançou quando a batalha já tinha começado. E por dois dias lutaram, até que conseguiram invadir a base inimiga que ficava em túneis e cavernas. E todos os bruxos e suas bestas foram mortos sem misericórdia, e a vingança de Kira e dos Dranorianos foi ali saciada.

Depois disso Kira pediu a seus senhores sua liberação, para que pudesse liderar com mais liberdade seus homens, e deu sua palavra que continuaria a auxiliar Dranor na patrulha da zona norte da Floresta. E os senhores Dranorianos a aliviaram de seus deveres com o Estado, e assim ela seguiu com seu Clã, e mais de duzentos homens e mulheres a seguiam. Ela era uma líder nata, e sua voz influenciava as mentes.

E ao final da guerra dos cem anos, perseguindo uma tropa inimiga que ia em direção as Ered Gorgoroth, ela se deparou com um grupo de guerreiros que vinham de Morcul, eram vinte e um homens e mulheres, e seu líder era alto e poderoso. E estes eram Exar Khun e seus homens, que vinham das Terras de Morcul, os futuros e escuros lideres dos Mãos de Prata.