16 de junho de 2026

A história de Raukor, o segundo morador do Caixão


(ESCRITO ORIGINALMENTE EM 2013)
Exar Khun e seus homens foram os primeiros moradores do Caixão das Almas. E sabe-se que depois deles diversos seres foram lançados nessa prisão pelas mãos de Morcul. Mas o primeiro prisioneiro lançado por Morcul, e consequentemente o segundo morador do Caixão, foi um Eladrin chamado Aglar. 

Aglar fora um estudioso entre os grandes Eladrins, mas ao contrário da maioria de sua raça, ele se apaixonou por Skard, o Mundo Original. Ele via uma beleza mais peculiar que a existente em Agrestia, seu mundo natal, que nada mais era para ele que uma versão exagerada da beleza do mundo original, que fez com que ela perdesse toda as belas características que os Primordiais deixaram. O Eladrin decidiu se tornar uma espécie de eremita, que viajou por todo o mundo de Skard, especialmente Dagorcain, passou a catalogar espécies de árvores, plantas e seres naturais de Skard, e elaborar estudos e livros sobre eles e sobre o que ele chamava de "corrupção dos outros mundos", que era o crescimento, surgimento e migração de seres originais dos outros Planos.


Morcul demorou meses para decidir usar o Caixão como uma prisão, pois antes decidiram estudar a natureza de sua magia. Entre os líderes dos Magos Sombrios, havia um Homem chamado Amorak, descendente da primeira geração de Líderes dos Sombrios da época da grande Guerra dos Magos. Amorak era jovem, pele pálida e olhos amarelos, apesar de sua natureza maldosa, consequência do mundo que ele vivia, ele costumava caminhar por Dagorcain disfarçado para admirar a beleza do continente. A cada nova paixão sua cobiça aumentava e sua sede de batalha se tornava imensa, pois gostaria de poder finalmente varrer as defesas da Aliança e tomar tudo para ele e seu povo.

Amorak se deitou com muitas mulheres, caminhou por várias cidades, e sempre que pode espalhou rastros de sua natureza sombria. Pois se considerava algo belo, aquilo deveria ser seu a qualquer custo, e muito sangue inocente fora derramado em seus passeios. Até que um dia ele ouviu sobre um grande estudioso daquela época, diziam que ninguém conhecia sobre Dagorcain e todo o Mundo melhor que ele. Talvez motivado pelo desejo de tomar posse daquela sabedoria, Amorak decidiu encontrar este tal Feérico sabido.

Na antiga cidade de Agrestia Menor, destruída pelo Clã Mãos de Prata no período pós-Grito Bestial, Amorak finalmente encontrou o famoso feérico conhecido pelo povo como Taur-Raukor, o Demônio da Floresta, um nome antigo dado a entidade que vigia a Região das Grandes Florestas, nos dias de hoje,adorada como Lórien. Apesar de sua 'fama' entre os estudiosos das grandes cidades, o Eladrin era simples, mais próximo a seus primos elfos do que dos grandes Senhores de Agrestia. 


A primeira vista o Príncipe de Morcul desdenhou do feérico e seus trapos. Aglar se vestia com trajes comuns dos elfos-druidas, e pendurado a seu sinto haviam pergaminhos, potes com poções e amostras, em seus cabelos haviam folhas e pequenos galhos presos. Ele estava sentado na mesa mais humilde no canto mais escuro da Taberna que estava hospedado, uma vela iluminava um grande bloco de papeis empoeirados que ele lia com atenção. 

Aproximando-se com seus trajes negros e finos, Amarok sem se importar com a altura de sua voz ou qualquer tipo de regra de conduta, disse:

- Um Eladrin que se rebaixa aos costumes de Elfos Druidas, pobres e imundos, acaba recebendo o título de sábio e o reconhecimento de uma grande entidade da floresta. Mato crianças ou mulheres e sequer me reconhecem com títulos, apenas como um mistério de assassinato nas ruas das cidades! O que faz um sábio para ser mais reconhecido que pessoas armadas?

É claro que em Dagorcain, em tempos de guerra como aqueles, não era de se surpreender esse tipo de discurso, em mundo cheio de mercenários e guerreiros. Mas Aglar prestou bem atenção no que o homem falou, ao contrário dos bêbados e farreadores daquela Taberna e respondeu:

- O sábio se aproveita das palavras dos espadachins e dos arqueiros. Ao contrário deles ele as anota e toma para si as honrarias. Não há como assinar a voz, se não pelas artes dos Elodianos, que escrevem sem usar mãos mas sim encantamentos, porém mesmo estes  usam bem o que entendem sobre mundo para deixar escrito o que sabem e reconhecer o nome que está na assinatura. São estes os sábios que me reconhecem, afinal, que sábio reconhecerá a voz de violentos?

- De onde venho a violência é escrita pelos sábios, pois as artes que criamos veem para violência. - Disse Amorak, surpreso com a resposta que recebeu.

- Então, seja famoso aonde você vive, e me permita ser reconhecido no meu mundo. Parece que tudo trata-se do ponto de vista, não? Mas creio que não me atrapalhou para discutir a ignorância dos combatentes e dos sábios, o que deseja?

- Desejo conhecer as coisas que amo e que desejo para mim. E se você é considerado um dos grandes sábios dos assuntos que me interessam, talvez encontre em você alguma utilidade. 

- Também encontrara humildade, mas não parece ser algo do seu interesse. Mas sente-se comigo, pague-me uma bebida e conversaremos. 

Amorak sentou-se na mesa. A sabedoria do Eladrin era cobiçada por ele, e tomá-la para si não seria difícil, o Instrumentous roubaria de sua mente o que precisava com facilidade. Mas Amorak também o invejava.

- Me pergunto os poucos lugares no mundo dos quais você não visitou. Seria algum deles de muito interesse a você?

- Não fui a muitos lugares, por não me interessar, ou por saber que não retornaria dali. O ultimo caso costumam ser lugares de muito interesse. 

- Morcul, há algum interesse em sua mente sobre este lugar?

- Tanto interesse quanto temor. E eu temo muito aquele lugar. Mas lá encontraria muito do que preciso para meus argumentos quanto ao que eu acredito ser a corrupção do trabalho original, afinal, se cidades como essa e Elódia representam a corrupção que vem de Agrestia, Morcul seria com certeza um dos maiores reflexos da corrupção vinda do Pendor. 

- Eu posso levá-lo até lá - disse Amorak- e em troca, me permitiria dar uma boa olhada em seus documentos e catálogos, e daria instruções e conhecimentos que só você tem! Uma troca justa, pois apenas eu poderia levá-lo em segurança a Terra dos Sombrios.

Aglar não confiou no homem desde o momento que ele se aproximou, mas a ideia de ao menos entrar nos Vales das Montanhas Gorgoroth em segurança acendeu sua mente. Não podia deixar uma oportunidade como essa passar. Mas ele também não podia correr o risco de caminhar com um louco. E após uma série de perguntas e uma longa conversa finalmente perguntou:

- Afinal, qual o motivo de tudo isso?

- Sou apenas mais um homem sedento por Poder, tal qual qualquer um dos lideres dos lados dessa Guerra que é travada a quase Cem anos. A diferença é que eu tenho algo a oferecer-lhe que nenhum deles tem.

- Amanhã partimos, então. A viagem será longa até lá.  

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